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SIMPÓSIO DA APMG 2027

Nos últimos anos e em muitos setores, tem vindo a consolidar-se a perceção de que a sociedade se confronta com riscos crescentes associados a eventos de origem meteorológica, climática ou geodinâmica.

Frequentemente e, por vezes de forma pouco crítica, estabelece-se uma ligação imediata entre tais eventos e a mudança climática.

Sendo inquestionável a relevância da mudança climática, importa recordar que muitos institutos de meteorologia e geofísica foram criados, sobretudo entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, precisamente para desenvolver serviços destinados a proteger vidas e bens face a perigos naturais e a contribuir para o bem-estar socioeconómico.

O progresso do conhecimento científico em meteorologia e geofísica, a expansão das redes de observação coordenadas à escala global pela Organização Meteorológica Mundial, desde as observações in situ até às observações remotas, o crescimento exponencial da capacidade computacional, a evolução dos modelos físicos e o recente desenvolvimento da inteligência artificial (IA), têm permitido melhorias significativas na monitorização e na previsão de fenómenos naturais e, na capacidade de produzir informação útil para apoio à decisão. No entanto, persistem fatores culturais, sociais e organizacionais, tanto ao nível da sociedade como das instituições do Estado, que limitam o pleno aproveitamento deste conhecimento e da crescente capacidade de previsão.

Apesar dos progressos alcançados, importa sublinhar a não linearidade e a elevada complexidade dos processos do sistema climático e de cada um dos seus subsistemas (atmosfera, hidrosfera, criosfera, litosfera e biosfera), bem como a necessidade de reforçar a sua monitorização e aprofundar o conhecimento da sua dinâmica interna e das suas interações. Esta integração é essencial para melhorar a previsão em diferentes escalas temporais e espaciais, bem como para aumentar a fiabilidade das projeções das alterações climáticas.

Paralelamente, subsiste a necessidade de compreender melhor diversos fenómenos geodinâmicos internos e externos, nomeadamente os relacionados com sismos, erupções vulcânicas, movimentos de vertente, fenómenos hidrometeorológicos como secas e inundações, ou fenómenos naturais complexos com forte influência das condições meteorológicas como os incêndios rurais.

Para prever, comunicar e lidar eficazmente com os riscos naturais, é indispensável promover investigação que abranja desde a ciência fundamental até às aplicações operacionais. É igualmente essencial educar, envolver e capacitar a sociedade, fomentando uma cultura de risco assente no conhecimento científico, na comunicação eficaz e na tomada de decisões informadas.

O 14.º Simpósio da APMG pretende reunir contributos que abranjam toda esta cadeia de valor, desde a investigação fundamental até à investigação aplicada, incluindo os serviços operacionais e os diversos agentes responsáveis pela transferência desse conhecimento para a sociedade. São particularmente bem-vindas as contribuições de investigadores, professores, profissionais da proteção civil, jornalistas e outros intervenientes com responsabilidades na comunicação, gestão e mitigação dos riscos naturais.

Organização

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